A doutrina da Trindade nos
apresenta o Pai como a Primeira Pessoa divina, de quem procedem o Filho e o
Espírito Santo. Nesta lição, estudaremos a identidade, a revelação e a pessoa
de Deus Pai. Veremos que Ele é o único Deus verdadeiro, a fonte da divindade, e
que age por meio do Filho e do Espírito. Também compreenderemos que o Pai se
revela plenamente em Cristo e que seus atributos e nomes expressam sua natureza
e glória. Nosso propósito é aprofundar o conhecimento bíblico sobre quem é o
Pai e fortalecer nosso relacionamento com Ele.
TEXTO ÁUREO
“Ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”
(Mt 11.27c)
VERDADE PRÁTICA
Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 11.25-27; João 14.6-11
7 - Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.
8 - Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
9 - Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não
me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu:
Mostra-nos o Pai?
10 - Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em
mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai,
que está em mim, é quem faz as obras.
11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
INTRODUÇÃO
A doutrina da Trindade é um mistério revelado e central à fé cristã:
um só Deus em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas — o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. Dentre essas três Pessoas, estudaremos
nesta lição a Identidade, a Revelação e a Pessoa de Deus, o Pai. Aquele
de quem procedem o Filho e o Espírito. Ele é a fonte eterna da
divindade: Criador, Redentor e Revelador. Por meio da fé, somos
convidados a conhecer e nos relacionar com o Pai Celestial.
I – A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
1. O Pai é o único Deus verdadeiro.
O Pentateuco declara “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4).
Deus, no Antigo Testamento, é um só Deus, que se revela pelos seus
nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos (Horton, 1997, p. 159). O
Novo Testamento apresenta o Pai como Deus por excelência, identificado
seis vezes com o título de “Deus Pai” (Jo 6.27; 1 Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; 1Pe1.2).
Além dessas ocorrências explícitas, a Bíblia frequentemente se refere a
Deus como “Pai”, destacando seu papel como Criador e Sustentador do
Universo (Is 63.16; Mt 6.9; Ef 4.6). O próprio Jesus se refere a Deus como “Pai”, e ensina os discípulos a orarem “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9), reforçando a necessidade de um relacionamento pessoal com Deus.
2. O Pai é a fonte da divindade.
Nossa Declaração de Fé professa que Deus é o Supremo Ser, é Eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: “como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Ele é o Deus imutável, desde a eternidade, desde antes da fundação do mundo (Sl 90.2; Ml 3.6; Tg 1.17). Ele é o Criador do céu e da terra, e de tudo que neles existe (Is 45.18; At 17.24). Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31); Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida (Jó 33.4).
O Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade, portanto, Ele é
a origem e fonte eterna da divindade, de quem o Filho é gerado e de
quem o Espírito procede (Jo 15.26; Hb 1.1-3).
3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito.
A paternidade é o papel da primeira pessoa da Trindade. Assim, o Pai opera por meio do Filho e por meio do Espírito Santo (1 Co 12.4-6; Ef 4.4-6).
Isso não implica inferioridade, mas expressa a maneira como as três
Pessoas operam inseparavelmente, cada uma conforme sua distinção
pessoal. O Pai proclamou as palavras criadoras (Sl 33.9), e o Filho as executou (Jo 1.3). O Pai planejou a redenção (Tt 1.2), e o Filho as realizou (Jo 17.4). Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e Ensinador (Jo 14.26). Conforme o Credo de Atanásio
(Séc. V): “nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma
é maior ou menor do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e
coiguais”.
SINOPSE I
Deus Pai é o único Deus verdadeiro, eterno e soberano, a fonte da divindade, que age por meio do Filho e do Espírito Santo.
II – O PAI REVELADO EM CRISTO
1. O Pai se revela aos humildes.
Jesus exalta ao Pai acerca de uma profunda verdade espiritual:
“...ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste aos
pequeninos” (Mt 11.25). Os primeiros, intitulados sábios (gr. sophós) são aqueles que detêm “inteligência e educação acima da média”. Os outros, os instruídos (gr. synetós),
são as pessoas com “cultura e instrução”. Esses vocábulos caracterizam
os fariseus e os escribas, que se vangloriavam de sua formação
privilegiada, mas que padeciam de cegueira espiritual. Significa que os
mistérios do Reino de Deus não são revelados aos soberbos, aos que se
consideram sábios aos próprios olhos (Pv 3.7). O Pai se dá a conhecer aos “pequeninos” (gr. népios), àqueles que possuem a humildade das crianças (Mt 18.2-4).
2. O Pai se faz conhecer pelo Filho.
Cristo afirma que o conhecimento do Pai é mediado exclusivamente por
Ele. A intimidade entre o Pai e o Filho é absoluta e perfeita: “ninguém
conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Essa declaração revela dois princípios importantes: (1) o Pai é um ser pessoal e relacional (Sl 46.10; Is 46.9); e, (2) só é possível conhecer a Deus por meio do Filho, o único mediador entre Deus e os homens (Jo 14.6; 1Tm2.5). O Filho é o intérprete supremo do Pai, o único capaz de revelar sua natureza, vontade e amor (Jo 1.18; Hb 1.1). Sem Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta ou distorcida, e fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9).
3. Quem vê o Filho vê o Pai.
No diálogo com Filipe, Jesus revela outra verdade sublime: “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9).
Essa declaração ratifica à doutrina da unidade da Trindade. Jesus é a
perfeita expressão do Pai: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a
expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). A unidade entre Pai e Filho é essencial e inseparável: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).
Não significa que são a mesma Pessoa, mas que compartilham a mesma
natureza divina. A obra, as palavras e o caráter de Jesus são expressão
direta da ação do Pai (Jo 14.10,11), que opera por meio do Filho, e o Filho age em total comunhão com o Pai (Jo 4.34; 5.30; 6.38-40; 8.28,29). Conhecer Jesus é desfrutar da presença do Pai (Jo 14.21,23).
SINOPSE II
O Pai é plenamente revelado em Cristo, sendo conhecido apenas por meio do Filho, que é a expressão exata do seu Ser.
III - A PESSOA DE DEUS PAI
1. Atributos incomunicáveis do Pai.
São qualidades exclusivas da divindade. Elas pertencem apenas ao Deus
Pai (bem como ao Filho e ao Espírito), e não podem ser compartilhadas
pelo ser humano. Os principais atributos são: Autoexistência, Deus existe por si mesmo, não depende de nada para existir (Êx 3.14; Jo 5.26); Eternidade, Deus não tem começo nem fim, não está limitado pelo tempo (Sl 90.2; Is 57.15); Imutabilidade, Deus não muda, Ele é sempre o mesmo (Ml 3.6; Tg 1.17); Onipotência, Deus é todo-poderoso e nada pode frustrar seus desígnios (Jó 42.2; Lc 1.37); Onisciência, Deus conhece perfeitamente o passado, o presente e o futuro (Sl 139.1-6; Hb 4.13); Onipresença, Deus está, ao mesmo tempo, presente em todos os lugares (Sl 139.7-10; Jr 23.24). Estes atributos, portanto, revelam que nosso Deus é absoluto e sem limitação alguma.
2. Atributos comunicáveis do Pai.
São qualidades divinas que, de alguma forma, Deus compartilha com
suas criaturas, ainda que de maneira limitada. Refletem os aspectos do
caráter e da moral de Deus que podem ser vistos, em grau menor, no ser
humano criado à sua imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Dentre eles, destacam-se: Santidade, Deus é Santo, e chama seus filhos a serem santos em toda maneira de viver (Lv 19.2; 1Pe1.15-16); Amor, Deus é amor em essência, e podemos amar a Deus e ao próximo como reflexo desse amor (Mt 22.37-39; 1 Jo 4.8); Fidelidade, Deus é sempre fiel, e também somos desafiados a ser fiéis (2Tm2.13; Ap 2.10); Bondade, Deus é bom em todo o tempo, e somos exortados a agir com bondade em nossa conduta diária (Sl 100.5; Gl 5.22).
3. Os nomes que revelam o Pai.
Os nomes de Deus não tratam apenas de sua identificação, mas revelam sua natureza, obras e virtudes (Sl 9.10). O nome Elohim (Gn 1.1), apesar do plural, reafirma o monoteísmo (Dt 6.4) e alude à pluralidade da Trindade (Gn 1.26); El Shadday (Gn 17.1) revela Deus como o Todo-Poderoso (Gn 28.3; 35.11); Adonai (Sl 8.1) e o grego Kyrios (At 2.36) manifestam sua autoridade como Senhor (Is 6.1; Fp 2.11); o tetragrama pessoal YHWH, revelado como “Eu Sou o Que Sou” (Êx 3.14; 6.13), enfatiza a eternidade e a imutabilidade de Deus (Sl 68.4; Ml 3.6).
Esses nomes divinos identificam a primeira Pessoa da Trindade, sua
soberania, poder e eternidade, aspectos fundamentais da doutrina cristã
sobre a grandeza e a majestade de Deus.
SINOPSE III
Os atributos e nomes de Deus Pai expressam sua natureza, santidade,
amor e autoridade, revelando quem Ele é e como se relaciona com sua
criação.
CONCLUSÃO
A doutrina Bíblica da Santíssima Trindade é a revelação concreta da
vida divina compartilhada entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nesta
lição, vimos que Deus, o Pai, é o Deus verdadeiro, eterno e soberano,
revelado plenamente em Cristo. Ele é o autor da criação, o planejador da
redenção e o sustentador da vida. Conhecer o Pai por meio do Filho é a
essência da vida eterna (Jo 17.3).
Que essa verdade desperte em nós o desejo sincero de conhecer, amar e
obedecer ao Pai que, em Cristo, nos adotou como filhos (Jo 1.12; Rm 8.15).
Revista:
O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
CPAD - Lições Bíblicas 1º Trimestre
2026 - Adultos
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